Instrutor registra na ficha o resultado da avaliação de tiro enquanto o aluno atira no estande
A Portaria nº 22/2026 vale para todas as escolas de formação do país desde 3 de agosto de 2026.

Resumo rápido

  • A Portaria nº 22/2026 define os planos dos 20 cursos de segurança privada e vale desde 3 de agosto de 2026.
  • O simulador de tiro é opcional e substitui só parte dos disparos das aulas. A prova é sempre com tiro real.
  • Aulas de tiro real e provas são gravadas, e a Polícia Federal recebe o link em até um dia útil.
  • A escola pode aplicar um reteste único na prova de tiro, durante o próprio curso.

Desde 3 de agosto de 2026, todo curso de segurança privada no Brasil segue a mesma norma: a Portaria nº 22, da Coordenação-Geral de Controle de Serviços e Produtos da Polícia Federal. Ela define o que cada curso ensina, quantas horas tem, como são as provas e como funciona o treino de tiro.

Para quem vai fazer formação, reciclagem ou uma extensão, entender a portaria ajuda a saber o que esperar do curso e a reconhecer uma escola que não segue as regras. Abaixo estão os pontos que mais afetam o aluno, com o artigo de cada um.

O que é a Portaria nº 22/2026

A Portaria nº 22-CGCSP/DPA/PF, de 15 de junho de 2026, estabelece os planos de curso, com conteúdo programático, carga horária e demais requisitos, dos cursos de formação, aperfeiçoamento e atualização dos profissionais de segurança privada. Ela vale para todas as escolas de formação do país e é observada pela própria Polícia Federal (art. 1º).

A norma entrou em vigor em 3 de agosto de 2026 (art. 8º) e revogou a Portaria nº 16-CGCSP/DPA/PF, de 1º de agosto de 2024 (art. 7º). Ela foi editada com base no Estatuto da Segurança Privada, a Lei nº 14.967/2024, e no Decreto nº 13.012/2026.

Os 20 cursos da portaria

Cada curso tem um anexo próprio com o plano completo. São 20 no total:

Cursos previstos nos anexos da Portaria nº 22/2026 e carga horária
AnexosCursos e carga horária
I e IIFormação de vigilante (200 h/a) e atualização de vigilante (50 h/a)
III a XAperfeiçoamento e atualização em transporte de valores, escolta armada, segurança pessoal e segurança de eventos (50 h/a cada)
XI e XIIArmas de menor potencial ofensivo, básico e avançado (25 h/a cada)
XIII e XIVFormação de vigilante supervisor (120 h/a) e atualização (50 h/a)
XV a XXFormação e atualização de operador, técnico externo e supervisor de monitoramento de sistema eletrônico de segurança (50 h/a cada)

Os cursos de sistemas eletrônicos de segurança atendem às profissões que o Estatuto de 2024 incluiu entre os profissionais de segurança privada (Lei nº 14.967/2024, art. 26). Veja todos na página de cursos para vigilantes.

Carga horária e hora-aula

Todos os cursos têm carga mínima de 5 e máxima de 10 horas-aula por dia, e cada hora-aula dura 50 minutos, em aulas diurnas ou noturnas (art. 3º). Por isso a formação de vigilante, com 200 horas-aula, leva pelo menos 20 dias de aula. Veja quanto tempo leva para se formar vigilante.

Simulador de tiro: opcional e nunca na prova

A escola pode usar simulador de tiro para substituir parte dos disparos reais das aulas, mas nunca os 10 disparos de cada prova (art. 4º). A decisão é tomada antes do início de cada turma e não pode ser mudada depois (art. 4º, § 6º). As provas de Armamento e Tiro são sempre com arma e tiro reais (art. 4º, § 7º).

Disparos nas aulas, sem contar a prova, conforme a Portaria nº 22/2026, art. 4º
CursoSem simulador / com simulador
Formação de vigilante66 reais / 40 reais e 150 simulados, com revólver .38
Atualização de vigilante30 reais / 20 reais e 70 simulados, com revólver .38
Transporte de valores e escolta23 reais / 14 reais e 54 simulados, com pistola
Segurança pessoal60 reais / 36 reais e 140 simulados, com pistola
Formação de vigilante supervisor30 de revólver e 20 de pistola / 20 de revólver, 10 de pistola e 60 simulados

O simulador também tem exigências técnicas: pelo menos duas linhas de tiro, alvos de precisão, de quatro cores e silhueta, cenários de tomada de decisão e câmera de alta definição. Quando ele é usado, o relatório de desempenho de cada aluno entra nos documentos da turma (art. 4º, §§ 1º a 5º).

Aulas de tiro gravadas

As aulas práticas de tiro real e as provas de Armamento e Tiro são gravadas em áudio e vídeo, com duas ou mais câmeras de alta definição que mostrem a linha de tiro e os alvos. As imagens ficam guardadas por pelo menos 60 dias (art. 5º).

No início de cada gravação, o instrutor mostra a identificação da turma e se identifica com nome completo e CPF, e cada aluno faz o mesmo. A escola envia o link das gravações à delegacia da Polícia Federal responsável em até um dia útil, para fiscalização a distância (art. 5º, §§ 1º a 3º).

"As avaliações da disciplina Armamento e Tiro serão obrigatoriamente realizadas com armamentos e tiros reais."

Portaria nº 22/2026, art. 4º, § 7º

Reteste na prova de tiro

Se o aluno não passar na prova de tiro, a escola pode aplicar um reteste único, no mesmo dia ou em dias seguintes, desde que durante o curso em que ele está matriculado. O reteste precisa ser identificado como tal na gravação (art. 5º, § 4º). A regra vale para formação, aperfeiçoamento e atualização.

O prazo das empresas na reciclagem e nas extensões

Quando a empresa inscreve os seus vigilantes numa reciclagem ou extensão, ela precisa mandar à escola a relação dos profissionais e a documentação de matrícula em PDF com pelo menos cinco dias úteis de antecedência. Se não fizer isso, o curso pode não ser homologado (art. 6º).

Há uma exceção para documentos que não puderem ser obtidos a tempo por motivo alheio à vontade do interessado, como indisponibilidade de um órgão público, desde que o documento não possa ser emitido pela internet (art. 6º, parágrafo único).

Escolaridade no perfil do vigilante

O plano do curso de formação descreve o perfil do vigilante e inclui a escolaridade: ensino fundamental completo, equivalente ao 9º ano, ou à 8ª série de quem estudou no sistema antigo (Anexo I). A regra segue o Estatuto da Segurança Privada, que fixou essa exigência em 2024. Veja escolaridade para ser vigilante.

Disciplinas que chamam atenção

Alguns planos de curso trazem conteúdos ligados a tecnologias e situações atuais:

  • Cibersegurança e Inteligência Artificial, com 6 horas-aula, na formação de operador de sistema eletrônico de segurança;
  • Drones Aplicados à Segurança de Eventos, com 8 horas-aula, e Inglês Instrumental para Eventos, com 4, no aperfeiçoamento em segurança de eventos;
  • Noções de Direção Defensiva, com 6 horas-aula, na formação de técnico externo;
  • Lei Geral de Proteção de Dados dentro de Legislação Aplicada, nos cursos de sistemas eletrônicos.

O que a portaria muda para você

  • O curso tem carga horária e provas definidas, iguais em qualquer escola do país.
  • A prova de tiro é sempre real e gravada, e a Polícia Federal pode conferir as imagens.
  • Vale perguntar quantos disparos reais a turma vai ter, porque isso depende do uso de simulador.
  • Escola que promete curso muito mais curto ou sem prova presencial está fora das regras.

Perguntas frequentes

O que é a Portaria 22/2026 da Polícia Federal?

É a norma da Coordenação-Geral de Controle de Serviços e Produtos da Polícia Federal que define os planos dos cursos de formação, aperfeiçoamento e atualização dos profissionais de segurança privada: conteúdo, carga horária e requisitos.

Quando a Portaria 22/2026 entrou em vigor?

Em 3 de agosto de 2026 (art. 8º). Ela revogou a Portaria nº 16-CGCSP/DPA/PF, de 1º de agosto de 2024 (art. 7º).

Quantos cursos a Portaria 22/2026 regulamenta?

Vinte, um em cada anexo: formação e atualização de vigilante, as quatro extensões com suas atualizações, os dois cursos de armas de menor potencial ofensivo, vigilante supervisor e os seis cursos de sistemas eletrônicos de segurança.

O simulador de tiro é obrigatório?

Não. O simulador é opcional e pode substituir parte dos disparos reais das aulas, mas nunca os 10 disparos da prova. As provas de Armamento e Tiro são sempre com tiro real (art. 4º).

As aulas de tiro são gravadas?

Sim. As aulas práticas de tiro real e as provas são gravadas com duas ou mais câmeras de alta definição, e as imagens ficam guardadas por pelo menos 60 dias. A escola envia o link à Polícia Federal em até um dia útil (art. 5º).

Existe reteste na prova de tiro do vigilante?

A Portaria nº 22/2026 permite que a escola aplique um reteste único, no mesmo dia ou em dias seguintes, durante o próprio curso (art. 5º, § 4º).

Quantos tiros o vigilante dá no curso de formação?

Sem simulador, 66 disparos reais nas aulas e 10 na prova, com revólver .38. Com simulador, 40 reais e 150 simulados nas aulas, mais os 10 reais da prova (art. 4º, I).

Qual o prazo para a empresa inscrever o vigilante na reciclagem?

A empresa precisa mandar à escola a relação dos profissionais e os documentos de matrícula com pelo menos cinco dias úteis de antecedência, sob pena de o curso não ser homologado (art. 6º).

A Portaria 22/2026 exige escolaridade?

O plano do curso de formação inclui no perfil do vigilante o ensino fundamental completo, seguindo o Estatuto da Segurança Privada, a Lei nº 14.967/2024.

Fontes

  1. Portaria nº 22-CGCSP/DPA/PF, de 15 de junho de 2026: arts. 1º a 8º e Anexos I a XX.
  2. Lei nº 14.967, de 9 de setembro de 2024: art. 26.
  3. Decreto nº 13.012/2026.

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Quem escreveu

João Martins

João Martins Arroyo Junior é sócio-administrador da OTMA, escola de formação de vigilantes em Içara (SC), autorizada pela Polícia Federal (Alvará nº 2.205/2025). Trabalha na formação de vigilantes desde 2011. As regras citadas foram conferidas nos textos oficiais listados nas fontes.