Turma de alunos da OTMA reunida para foto no pátio do centro de treinamento
Turma da OTMA no pátio do centro de treinamento, em Içara.

Resumo rápido

  • Para ser vigilante é preciso ter 21 anos, ensino fundamental completo e passar nos exames de saúde física, mental e psicológica.
  • O curso de formação tem 200 horas-aula presenciais, com prova teórica e prova de tiro.
  • Desde 3 de agosto de 2026 valem as regras da Portaria nº 22 da Polícia Federal, que exige gravação das aulas de tiro.
  • Depois de formado, você pode se especializar com cursos de extensão e precisa renovar o certificado com a reciclagem.

Ser vigilante é uma das formas mais diretas de entrar no mercado de segurança privada. A profissão é regulamentada, tem demanda em praticamente todos os setores e não exige faculdade. Mas tem regras claras, e elas mudaram nos últimos dois anos.

Neste guia você vai ver o que a lei exige, como funciona o curso, o que mudou com as novas normas da Polícia Federal e o que fazer depois de receber o certificado.

O que faz um vigilante

O vigilante protege o patrimônio e a integridade física das pessoas no local onde trabalha. Ele atua de forma preventiva: observa, controla acessos, identifica riscos e age para evitar ocorrências.

O plano de curso da Polícia Federal cita os principais ambientes de trabalho:

  • instituições financeiras, como agências bancárias;
  • shoppings, hospitais e escolas;
  • indústrias e empresas;
  • transportes coletivos terrestres, aquaviários e marítimos;
  • portos, aeroportos e unidades de conservação.

Para exercer a atividade, o vigilante precisa ser contratado por uma empresa de segurança privada ou por uma empresa ou condomínio que tenha serviço próprio (orgânico) de segurança.

Requisitos da lei para ser vigilante

Os requisitos estão no art. 28 da Lei nº 14.967/2024, conhecida como Estatuto da Segurança Privada. Para trabalhar como vigilante, você precisa:

  1. ser brasileiro, nato ou naturalizado;
  2. ter pelo menos 21 anos;
  3. ter o ensino fundamental completo, até o 9º ano, ou a 8ª série para quem estudou no sistema antigo;
  4. ser considerado apto nos exames de saúde física, mental e psicológica;
  5. concluir com aproveitamento o curso de formação;
  6. não ter antecedentes criminais por crime doloso;
  7. estar em dia com as obrigações eleitorais e militares.

Passo a passo até o certificado

  1. Confira os requisitos

    Antes de qualquer gasto, veja se você atende a todos os itens da lista acima. Idade e escolaridade são os pontos que mais barram a matrícula.

  2. Faça os exames

    Os exames de saúde física e mental são feitos por médico, e o psicológico por psicólogo credenciado pela Polícia Federal. Na OTMA, os dois são feitos por profissionais credenciados indicados pela escola.

  3. Escolha uma escola autorizada

    Só escola autorizada pela Polícia Federal pode emitir um certificado válido. Confira também se a grade segue a Portaria nº 22/2026 e se há aulas práticas de verdade. Se você mora longe, pergunte se a escola oferece hospedagem e alimentação durante o curso.

  4. Conclua o curso de formação

    São 200 horas-aula presenciais, com avaliações teóricas e prova de tiro com arma real. É preciso ser aprovado para receber o certificado.

  5. Procure a primeira vaga

    Com o certificado, você já pode ser contratado por empresas de segurança privada e por empresas ou condomínios com segurança própria.

Como é o curso de formação

O curso tem 200 horas-aula: 180 de disciplinas e 20 de avaliações. Cada hora-aula dura 50 minutos, e a carga diária fica entre 5 e 10 horas-aula. Na prática, isso significa entre quatro e cinco semanas de aula.

As aulas práticas são intercaladas com a teoria, com pelo menos uma hora-aula prática por dia. As disciplinas com mais peso na grade são estas:

Disciplinas com maior carga horária no curso de formação de vigilante
DisciplinaTipoCarga
Armamento e TiroPrática27 h/a
VigilânciaTeórica15 h/a
Direitos HumanosTeórica14 h/a
Defesa PessoalPrática13 h/a
Educação FísicaPrática10 h/a

A grade ainda inclui primeiros socorros, prevenção e combate a incêndio, legislação, gerenciamento de crises, uso seletivo da força e armas de menor potencial ofensivo, entre outras. Veja a grade completa.

A prova de tiro

No curso de formação, cada aluno faz 76 disparos reais com revólver calibre .38: 66 nas aulas e 10 na prova. A escola pode optar por usar simulador nas aulas: nesse caso são 40 disparos reais e 150 simulados, mais os 10 da prova. A avaliação é sempre com arma e munição reais.

O que mudou em 2026

A Portaria nº 22-CGCSP/DPA/PF, de 15 de junho de 2026, substituiu a Portaria nº 16/2024 e passou a valer em 3 de agosto. As mudanças que mais afetam quem vai fazer o curso:

  • Escolaridade: o ensino fundamental completo passou a ser exigido para a matrícula.
  • Aulas de tiro gravadas: as aulas práticas de tiro real e as provas são filmadas com duas ou mais câmeras de alta definição, e as imagens ficam guardadas por pelo menos 60 dias.
  • Simulador de tiro: passou a ser permitido para substituir parte dos disparos reais, nunca na prova.
  • Reteste: a escola pode aplicar um reteste único na prova de tiro, durante o curso (art. 5º, § 4º).

“As avaliações da disciplina Armamento e Tiro serão obrigatoriamente realizadas com armamentos e tiros reais.”

Portaria nº 22/2026, art. 4º, § 7º

Depois de formado

O certificado de formação habilita para a vigilância patrimonial. A partir daí, a carreira pode seguir por dois caminhos:

Em qualquer caminho, o certificado precisa ser renovado a cada 2 anos com o curso de atualização, a reciclagem, sempre antes de vencer. Veja como funciona a reciclagem.

Perguntas frequentes

Qual a idade mínima para ser vigilante?

21 anos, conforme o art. 28 da Lei nº 14.967/2024.

Precisa ter ensino médio para ser vigilante?

Não. Para vigilante, a exigência é o ensino fundamental completo. O ensino médio é exigido para vigilante supervisor.

Quanto tempo dura o curso de formação?

São 200 horas-aula de 50 minutos, com 5 a 10 horas-aula por dia. Na prática, entre quatro e cinco semanas de aula.

Existe curso de vigilante a distância?

Não para a formação. A Portaria nº 22/2026 só admite formato semipresencial em situações excepcionais dos cursos de atualização.

Fontes

  1. Lei nº 14.967, de 9 de setembro de 2024 (Estatuto da Segurança Privada), Câmara dos Deputados.
  2. Portaria nº 22-CGCSP/DPA/PF, de 15 de junho de 2026, Polícia Federal.

Última revisão: .

Logotipo da OTMA

Quem escreveu

João Martins

João Martins Arroyo Junior é sócio-administrador da OTMA, escola de formação de vigilantes em Içara (SC), autorizada pela Polícia Federal (Alvará nº 2.205/2025). Trabalha na formação de vigilantes desde 2011. As regras citadas foram conferidas nos textos oficiais listados nas fontes.